Crítica sobre A Bela e a Fera (2017)

Texto livre de SPOILLER 

Sentimentos são, como uma canção… para a Bela e a Fera…

Foi com esse lindo verso que há 26 anos atrás uma animação da Disney conquistou o mundo com o encanto de uma das mais belas histórias já contadas e adaptadas pelo estúdio do Mickey.

A Bela e a Fera conquistou 6 indicações ao Oscar daquele ano incluindo “Melhor Filme” (algo inédito na história da animação).

Mesmo que nem todo filme vive só de Oscar, A Bela e a Fera fez bonito em diversas cerimônias de premiações internacionais, sucesso de bilheteria e venda de VHS, o que resultou em uma adaptação da Broadway anos depois, uma continuação, uma série animada, milhões de fãs e o mais importante de tudo: conquistou sua própria pedra (e com certeza uma das mais brilhantes) na coroa da Disney e da história do cinema.

Anos se passaram e uma ousada versão Live Action do clássico foi lançada na última quinta feira (16). Alan Menker retornou para a produção das músicas, a querida (e polêmica) Hermio… Emma Watson como Bela, muito CGI e uma difícil tarefa: honrar um dos maiores clássicos do estúdio e impressionar uma nova geração que já não liga tanto para contos de fadas.

Na versão de 2017, vemos o diretor Bill Condom mais preocupado com um contexto realístico do filme. Logo, algumas coisas que não precisavam ser explicadas ou ter um motivo coerente na versão animada de 1991, receberam uma explicação, afinal não é apenas “desenho”… e sim um conto de fadas acontecendo no mundo “real”.

Com isso, vemos os clássicos personagens secundários como Lumiere e Horloge BEM humanizados. O resultado não poderia ter sido melhor. A responsabilidade era grande do estúdio em reproduzir fielmente o núcleo mais querido e que rouba a cena (se não quase todo o filme) na versão de 1991. Podemos sentir as emoções e o lado ‘humano’ de cada objeto do castelo já que a maioria deles teve esse design ‘meio humano-objeto’.

No caso da Madame Samovar, acredito que tenha ido na direção contrária. Enquanto na animação vemos traços na sua forma de objeto que fazem jus a sua forma humana, no ‘live action’ temos simplesmente um bule com olhos e boca. Entrevistas do diretor comprovam a dificuldade que o estúdio teve em conseguir o design ideal para ela.

Agora… precisamos falar sobre Bela!

Emma Watson sempre dividiu muitas opiniões sobre sua escalação para esse papel. Seja por seu talento julgado por muitos como duvidoso ou sua ‘beleza’.

A verdade é que Watson conseguiu trazer toda a beleza interior e exterior de Bela. Seja no olhar carinhoso e bondoso mesmo nos momentos em que mais foi testada no filme, ou na capacidade da personagem em encontrar o amor adormecido em uma pessoa fria e arrogante na forma de fera.

Os números musicais “Belle” e “Something’ There” provam que seu talento musical ainda pode ser muito bem explorado pela indústria cinematográfica. Claro que não se compara com o de Paige O’Hara que imortalizou a versão estado-unidense de Bela em 1991, mas convenhamos que não é nada justo compararmos uma atriz e cantora da Broadway com uma jovem atriz de Hollywood.

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Dan Stevens que interpretou o difícil papel da Fera, não impressionou tanto. Em um dos momentos musicais que deveriam ser mais impactantes do filme com a canção inédita Evermore, sentimos que seu potencial musical não acompanha as expectativas. Sua atuação não foi completamente ruim, mas bem inferior comparada aos seus colegas de cena.

Luke Evans (Gaston) e Josh Gad (Le Fou) roubaram a cena diversas vezes e são com certeza um dos pontos altos do remake. Enquanto na animação vemos apenas um vilão grosso e egocêntrico com seu fiel seguidor, neste filme vemos uma abordagem muito mais real não só de cada personagem mas também da relação dos dois, algo inclusive que trouxe muita polêmica semanas antes da estréia quando divulgaram que Le Fou seria um personagem gay que tem sentimentos confusos sobre Gaston.

Deixando de lado toda essa polêmica, arrisco dizer que a atuação de Gad, famoso por seu trabalho como Olaf em Frozen, impressiona mais do que a Fera, protagonista da história. Evans consegue também trazer o divertido vilão Gaston para o ano de 2017 com muito charme e humor.

Não podemos deixar de mencionar os efeitos especiais do filme. Basta lembrar que quase todos os cenários e principais personagens foram feitos a base de CGI, uma arte que a Disney está dominando cada vez mais. Vejamos o incrível trabalho realizado no remake de Mogli de 2016 que inclusive rendeu um Oscar de Melhor Efeitos Especiais.

Ponto positivo para o visual da Fera que está menos assustadora que a versão de 1991 e mais humanizada, logo passível de expressar melhor os sentimentos do príncipe. Ponto para os utensílios do castelo e seus dubladores e ponto para uma das melhores cenas do filme: “Be Our Guest“.

Eu confesso que essa sempre foi uma das minhas maiores preocupações: como conseguiriam recriar uma cena tão fantástica como a cena do jantar? Novamente a Disney mostra que não brinca em serviço e traz um trabalho digno de palmas.

Outro ponto positivo para a cena da dança que conseguiu retratar com maestria o amor ainda confuso dos protagonistas ao som da canção mais icônica do filme, Beauty and the Beast.

 

Agora vamos aos pontos negativos do filme:

Os figurinos do filme decepcionaram desde que as primeiras imagens foram divulgadas. Eu decidi que só iria julgá-los após assistir o filme e infelizmente minha percepção não foi alterada. Tudo muito simples para a grandiosidade de A Bela e a Fera. A maior decepção de todas ficou com o famoso vestido amarelo.

A trilha sonora que obviamente é o grande carro chefe do clássico original, trouxe em 1991 diversos talentos como a já mencionada Paige O’Hara, Angela Lansbury como Madame Samovar e Jerry Orbach como Lumiere. Já esse ano acabou decepcionando.

Arrisco dizer que das canções apresentadas ao longo do filme, o único que impressiona é Ewan McGregor como Lumiere em Be Our Guest.

Mas não devemos esquecer dos belíssimos trabalhos nas canções Beauty and the Beast regravada por Ariana Grande e John Legend e Evermore de Josh Groban. Ambos nas versões não apresentadas no filme. E é claro, Celine Dion que retornou a inédita com How Does a Moment Live Forever.

Dion foi responsável para a versão pop de Beauty and the Beast em 1991.

Grande e Legend no clipe de Beauty and the Beast

A nova cena de abertura “Belle” decepcionou muito em não trazer a grandiosidade que a cena da animação reproduz. Alias, essa falta de grandiosidade é visível em diversas partes do filme seja na distância da casa da Bela até a aldeia ou no tamanho dos cômodos do castelo da Fera.

 

A lista de animados da Disney que serão regravados em Live Action parece não ter fim para os próximos anos. E toda vez que os filmes são anunciados uma enorme pressão é criada sobre os diretores e produtores.

E não é por menos, a maioria desses filmes marcaram gerações e a vida de muitos fãs ao redor do mundo. E se esses clássicos estão sendo reproduzidos, nada menos do que perfeito é aceitável.

A versão de 2017 foi melhor que a animação? Não! Ela tinha a missão de superá-lo? Também não. Nenhum remake Disney jamais terá esse propósito.

A função desse filme nunca foi de superar a animação e sim de homenageá-la e manter fresco na memória das pessoas a mensagem de amor que vive dentro das pessoas.

Com isso, a Disney acaba de conquistar o mundo com mais um trabalho brilhante onde apesar de algumas falhas, o clássico de 1991 foi fielmente resgatado e atualizado.

Esperamos que o mesmo carinho e fidelidade seja tratado nos próximos remakes do estúdio como Mulan, A Pequena Sereia e Aladdin.

 Ficha técnica:

Título original: Beauty and the Beast
Título BR: A Bela e a Fera
Direção: Bill Condon
Nota Expresso Disney: 4,0/5,0 ✪✪✪✪